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Ninhá!
Eu não era mais uma criança. Aliás, eu não sou mais uma criança. Mas acho que ele não entendeu ainda. E, após me abraçar por uns 5 minutos, ficou me olhando bem fundo nos olhos, daquela forma que apenas pais (ou aqueles dotados de paternidade) conseguem olhar. Então ele disse:
- Cookie - quando eu era mais nova eu odiava esse apelido comum no país dele. Depois passei a gostar. E depois a sentir vergonha. E agora, soa como música aos meus ouvidos, pelo som da voz dele. - Você está diferente.
- Eu cresci, ué. - Respondi, tentando esconder o que estava na cara.
- Também. Agora você mora com seu pai de verdade, né. - Ele disse, com uma expressão dividida entre o tentar parecer feliz e o realmente triste.
- Pai é aquele que cria, certo?
- Sim, mas ele sequer teve a chance, não é mesmo?
- Sim, mas você teve e é o melhor do mundo. - repliquei.
- O melhor do mundo? - ele sorriu.
- Sim! O melhor do mundo! Senti sua falta! - e tornei a abraçá-lo.

E, após uns minutos no abraço dele, senti que seus olhos grandes e verdes me olhavam.
- Você mudou de assunto, Cookie.
- Que assunto?
- Que você está diferente.
- Impressão sua.
- Pais nunca tem impressão errada.
- Nem mães - disse, por mais que aquilo me doesse. Lembrar dela ainda doía.
- Certamente não - ele concordou.
- Sinto falta dela. - admiti.
- Eu sei.
- Quando... Bem, quando vocês se separaram, doeu tanto assim? - perguntei, correndo o risco de parecer idiota.
Ele pensou por um instante. E por todo esse instante eu me dei conta que eram coisas completamente diferentes. Então ele respondeu:
- Doeu. Mas são dores diferentes. Eu sequer consigo imaginar a dor que você sente. Nem eu e nem seu pai biológico. Mas acredito que não te conhecer até seus 20 anos doeu muito mais a ele.
- Será? - duvidei.
- Com certeza. Não duvide disso. Me separar dela doeu. Mas doeu mais ainda ser obrigado a me separar de você. Porque são sentimentos diferentes.
- É, eu sei... - tive que concordar.
- Mas me diga. - ele insistiu - O que aconteceu?
- Tudo. Tudo aconteceu.
- Não estou falando do que aconteceu com a tua mãe. Estou falando desse brilho no olhar. Desse sorriso. Dessa forma de caminhar - dizia ele com todo o sotaque dele, às vezes trocando palavras do português para o inglês.
- Não entendo. - tentei esconder. Mas eu sabia que, sendo chefe de alguma coisa de algum setor da polícia da cidade onde ele estava trabalhando agora, ele não ia deixar escapar uma mentira bem debaixo do nariz dele.

Ele me olhou profundamente de novo. Então eu fiz o maior esforço que pude para evitar que ele lesse meus pensamentos. Acho que fiz tanto esforço que franzi a testa.
- Se esforçando para o quê? Pensar no que vai me dizer para esconder o que tá acontecendo aí dentro? - e apontou para o meu peito.
Depois dessa eu apenas ri. Será que não se pode mais guardar segredos?
- Você pode me contar se quiser - ele continuou - Eu adoraria saber dos seus sentimentos e conversar sobre eles.
- Não é tão simples assim. - respondi, tentando responder o mínimo possível porque... Bem, vocês mulheres  sabem: quanto mais a gente fala, mais o choro sai.
- Não é tão simples assim because... - e deu ênfase não só com a voz, mas também com um aceno de cabeça.
Foi então que eu decidi que as minhas mãos eram a mais bela coisa a se olhar naquele momento. Sim, porque olhar o horizonte é dramático demais. Olhar uma das árvores ou flor daquele parque é romântico demais e me denunciaria. Olhar para o chão é culpado demais. E fingir que olhava o esmalte me pareceu a melhor das ideias. Então me dei conta que não havia esmalte para olhar.
- Quem é? - ele perguntou.
- Ah, você não conhece. - e acrescentei: - E, pelo visto, nem vai conhecer.
- Morreu?
- Ah não não. Mas deve morrer para mim. - falei, tristemente, tentando não ser dramática demais.
- Because...?
- Because nada. Simplesmente porque as coisas devem ser assim - eu disse - O platônico, o sublime, o puro é lindo. Mas na verdade só um dos dois sofre. Não se tem ninguém para dividir esse sentimento.
- Divida-o comigo.
- Não posso. Não consigo. Eu não consigo evitar. Eu gosto dele, eu amo ele. Depois de quase um ano nada mudou.
- Nada?
- Nada. Bom, talvez algo. - pensei bem.
- O quê?
- A realidade. - pensei, deixando que uma lágrima caísse. - Entender o que é nunca. Talvez isso tenha mudado.
- Nunca é algo que nunca vai acontecer. Você tem apenas 20 anos. Acho que nunca não deveria existir no seu vocabulário. Você não conheceu seu pai biológico 20 anos depois de nascer? - ele argumentou.
- ELE quis me encontrar também. Foi recíproco. Não foi platônico. - respondi.
- E o que faz desse rapaz tão especial?
Pensei por um tempo. Mas já que já havia feito minha confissão, resolvi continuar:
- Primeiro foi os olhos. Depois, o sorriso. Aí quando eles se juntaram... Bom, eu já estava dentro dos olhos dele. Do olhar dele. E eu vi ele hoje.
- Acho que ele ficaria honrado em saber que é amado de uma forma tão pura.
- Não sei por quê, mas senti um tom de brincadeira na sua voz. - desconfiei.
- Deve ser o sotaque, então. Eu juro que achei bonito o que você disse.
- Não é bonito, é triste.

Ele então pegou o crucifixo que usava ao pescoço (é um tique que ele tem, quando pensa no que vai falar), correu ele pela correntinha e voltou a guardar dentro da camisa. Estava pronto para dizer algo.
- Não é triste. É belo. Não se acha mais amor desse jeito. Nessa forma. É raro.
- Bom pra quem não sente, né.
- Jamais. Cookie, pode me chamar de velho, obsoleto e enferrujado. Mas sentir que se ama alguém é algo perto do sublime. Quando se ama de coração puro, sem condições, sem amarras e sem a intenção de receber algo em troca... É puro, é sublime. É lindo.
- Eu queria que ele me amasse também - e assim assinei embaixo a minha confissão.
- Mas você já ama ele há um ano. Quase um ano amando e sem ter a certeza se é recíproco ou não o sentimento. Você não espera nada em troca.
- Ótimo, sou uma masoquista agora.
- Perto. Mas você está se esquecendo de que ele pode ter sentido o mesmo com o teu olhar, o teu sorriso, a tua voz e a tua risada. E simplesmente não aconteceu nada. Porque não era o momento. E nem o lugar. E talvez ele tenha se assustado. E vocês se separaram em instantes.
- Então, triste isso.
- Para os dois lados. Logo, você tem com quem dividir. Em pensamento.
- Não me conforta isso - admiti.
- Sabe, Cookie, nem todo mundo que a gente conhece é para permanecer em nossas vidas. Mas o momento em que a conhecemos, e principalmente quando conhecemos as especiais, esse é único. É eterno. E é daí que a gente percebe que se encontrou não só com aquele ser humano, em carne e osso. Digamos que seja mais para um re-encontro.
- Você anda muito filosófico ultimamente.
- "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia." - recitou ele sua peça de teatro favorita.
- E há mais coisas entre o cérebro e o coração do que eu queria que houvesse - parodiei.
- O quê, por exemplo?

Pensei. Pensei de novo. E então respondi:
- Uma cabeça e um pescoço, oras!

Ele deu aquela risada que dificilmente ele deixava escapar. Aquela risada que me lembrava que ele não era tão sério assim. Ele estava apenas "endurecido" por tanta realidade e tão pouco sonho que via no dia-a-dia. E aproveitei o momento de descuido dele para guardar no bolso o papelzinho que continha as letras e a assinatura da razão daquela conversa.

Do livro: Joguem no Google e Descubram. Se é que ele existe.

"A vida é breve, a alma é vasta" 
Fernando Pessoa

PS: Dedicado a você, Gêmea, pela força e por me cobrar textos novos.
Ninhá!
Oi pessoal! Em primeiro lugar, peço desculpas pelo meu sumiço daqui. É que final de semestre é foda, né! Em segundo lugar, peço desculpas também pelo texto de hoje não ser meu, semana que vem tem texto novo de minha autoria! Juro! =)
Espero que gostem! É um moço muito especial que vos escreve hoje. =)

"De uma coisa tenham certeza: nada muda mais um homem do que o amor. Sério. Nem o futebol, nem a sogra, muito menos a bunda do comercial de cerveja. 
Afinal, o futebol acaba e seus amigos continuam sendo o porco, o bandido, o fedido. Se você ama a sua mulher de verdade, gosta da sogra, porque foi ela quem te deu a oportunidade de ter seu amor. A bunda do comercial de cerveja é apenas uma bunda olhada por todos, mostrada a todos e segundos depois mal se lembram da cara da dona da bunda.


Mas o amor... O amor é diferente! Conto a vocês aqui minha experiência. Não vim aqui contar depoimentos tchutchucos, ou dizer que em nome do amor eu mudei. Mas o fato é que a mulher, quando direita, e, me desculpem as feministas ou que partilham de ideias diferentes, sabe mudar um homem.
Eu, que nunca fui certinho me vi homem de uma só mulher. Me via cada vez mais impossibilitado de trair ou então de correr atrás de um belo par de peitos ou uma bunda.


Aí comecei a pensar algumas coisas. E, embora pareça hipócrita isto, hoje eu vejo com pena muitas das garotas com quem eu saía. Aquelas que descem até o chão, que vestem as roupas mais curtas e mais justas. As que não sentem pudor algum ao tirar a roupa pra você sem nem te conhecer, mas juram de pés juntos meiguice e timidez. Aquelas que você usa e joga fora junto com a camisinha. Aquelas que você beija sem sentimento, uma mera troca de baba. Ou então aquelas que juram se apaixonar (e tão fácil!) e você se aproveita disso. Antes eu gostava, hoje tenho pena.


A gente procura o que não se tem. Quando falta meiguice, doçura, brincadeira, cócegas, companhia... A gente procura fora daquilo que está dentro da nossa realidade. Por isso, garotas que prestam: não se sintam desiludidas. Uma hora a farra cansa. O sexo pelo sexo cansa. A bunda grande cansa. O mulherão se atirando aos nossos braços cansa. A facilidade cansa.
Tudo isso cansa porque não se pode levar a sério. 


Então você conhece uma mulher. Uma menina-mulher. Daquelas que não te cobra, mas te compreende. Que fica brava quando você bebe demais. Que usa tênis. Que dá risada e chora fazendo isso. Que fala sinceridades. Que não é artificial tentando te seduzir o tempo todo (embora ela já tenha o feito sem perceber). Que te liga pedindo conselhos. Ou que não te liga, mas dá um toque porque está sem crédito. Que se aninha nos teus braços e você sente o coração dela bater. Que sente vergonha, apesar de ser extrovertida. Que não "dá", faz amor. Que chora vendo O Rei Leão. Que não consegue ver uma criança sem tentar contato. 


Aquela que você considera "intocável". Que não passou pelas mãos de muitos homens. Que selecionou os amores. Que anda ao teu lado e você não consegue soltar das mãos dela. Você pode ser o crápula mais imprestável do mundo... Mas... Mas quando ela brinca com as crianças no shopping, com a irmãzinha ou o priminho... Você se vê com ela no futuro. E consegue enxergar os filhos de vocês.


Você pode ser o mais mulherengo de todos. Mas ela conseguiu te mudar a tal ponto que você mal se reconhece. Passa a beber menos, ter mais paciência nos passeios ao shopping, passa a achar graciosos os pneuzinhos. Renega o tipo perfeito de corpo da mulher da Playboy. Repara na mulher ideal que tem ao seu lado. Com estrias nos lugares que mais é gostoso de pegar. Com a celulite que te faz sentir um deficiente visual porque você não tem a capacidade de enxergar.


Você passa a negar o mulherão da balada. Aquela com "atitude" que chega em você com a amiga, ainda por cima. Aquela que mal te conhece e topa ir pra cama com você, ou te chama pra ir pra casa dela. Porque você tem um compromisso: zelar pela tua garota. Aquela que se diverte com os amigos e com você. Que está usando jeans e cantando como se todos fossem surdos. Que está com o cabelo todo bagunçando. Que faz biquinho quando um dos mulherões chega em você. 


É... Você tem um compromisso com ela. Zelar por ela, porque você promete a você mesmo que vai protegê-la. Você nega o mulherão que quer a todo custo te levar pra cama simplesmente porque você, após a balada, vai levar sua garota pra comer no Habbibs. E observar ela dormir. Ou então, levar ela até a casa dela ou dos pais dela. Porque quem ama... Ah, quem ama cuida! E cuida com tal zelo que passa a se cuidar também. 


Porque mulher... Mulher se encontra em qualquer lugar. Mas mulher de verdade... Estas são tesouros a serem descobertos!
E descobrindo-se o tesouro, descobre-se também o merecedor dele."


Bom, pessoal, por hoje é só! =) Deixo vocês com um clipe super fofolucho!


"Parece que a vida inteira esperei para te mostrar. Que na rua dia desses me perdi. Esqueci completamente de vencer. Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz!"
O Teatro Mágico


PS: O dia que o Blogspot colaborar comigo, eu dou um beijo na tela do notebook!
Ninhá!

Geralmente você não espera. Não pressente, não está pedindo por isso. Mas acontece. Numa situação inusitada, onde você não está preparad@. É. Naquela hora mesmo. Em que você está descabelada, o cabelo meio sujo, sem brincos, sem maquiagem, sem O perfume. Te pega desprevenida. Dá uma rasteira nas pernas.

Isso pode acontecer em qualquer situação, até nas mais bizarras. Em qualquer lugar, mesmo nos mais inusitados. Mas pode acontecer. Você pode estar tomando um café da manhã numa padaria, quando de repente... Acontece. Ou então no trânsito ou chegando ao trabalho. Fazendo compras. Numa sala de pronto atendimento. Num congresso ou encontro. Num passeio com amigos e os amigos destes amigos. Em situações vergonhosas e/ou bizarras. Perdida por aí. Ou calmas.

E de repente você está lá. Vestida normalmente, nada de charme. Sem maquiagem, de cara limpa. Sem unhas feitas. Sem bala na boca. O cabelo preso pra disfarçar um bad hair day. E aí você toma consciência de que aquilo é você. "Este sou eu. Sem máscaras, sem disfarces, sem ensaios de algo a dizer ou reações prontas." Simplesmente aquilo: indefesa, precisando de ajuda e/ou forever alone companhia ou informação porque se perdeu. Aquilo ali é o teu mais íntimo que alguém pode chegar. Despreparada, com dor ou não, chorando, enchendo o bucho comendo. Comprando um absorvente. Irritada, brava, nervosa, melancólica, na TPM. Mas é, simplesmente você. 

Daí que você se dá conta que algumas pessoas te conhecem mais profundamente que outras que você poderia jurar que te conheciam. E vocês acabaram de se encontrar. Só que esse encontro se dá em circunstâncias tão íntimas que depois que passa, infelizmente a gente ou desvaloriza ou leva um pedaço conosco. Prefiro o pedaço.

Por exemplo o médico que te atende quando você tá com diarréia. Pode parecer bizarro. Mas ele SABE que você tá com diarréia enquanto você quer esconder de todo mundo isso (e não importa que te viram correndo até o banheiro). Ou o podólogo ou até a manicure que vê sua unha fudida do dedão do pé. Ou o dentista, que sabe que você tem cárie. Ou o fisioterapeuta que sabe do seu problema de coluna ou sua dor no joelho, que você tenta esconder. Ou então a mulher do caixa do supermercado que sabe tudo que você vai comer e qual a marca do seu absorvente. O farmacêutico que sabe que anticoncepcional você comprou e o caixa da farmácia, a marca da camisinha. Se você já passou por alguma dessas situações, há de concordar comigo. Se não passou (assim como eu não passei por algumas também, questão de tempo e vivência), não tenha medo: você vai passar.

Enfim, estou me desviando de onde eu quero chegar. Mas que daria uma discussão legal sobre isso, daria.

Voltando ao que eu queria dizer... Você tá lá, completamente desprevenido quando acontece. Ou melhor, pode acontecer. Os olhares se encontram, o coração pára de bater (ou pelo menos parece que pára). 
Talvez você nunca tenha sentido isso antes, mas sabe que não é paixão. Paixão agita a gente, deixa a gente querendo.

Mas não. Você entra em dúvida e por mais cara de pau que seja, você fica sem graça. O coração dá um solavanco e é possível sentir ele pulsar dentro da boca. Um nó forma-se na garganta e você perde a fala. Apenas consegue mexer a cabeça para concordar. Sim, para concordar. Talvez ele/ela perca momentaneamente a fala também, mas você nunca vai reparar, porque está lutando contra você mesmo.

Você procura um ar que parece não existir, um espaço que parece vácuo. Tenta laçar alguma palavra que esteja fugindo. As mais vaidosas se preocupam com as unhas por fazer, a maquiagem que não passou. Você procura algum gesto... Mas nada sai. E você fica ali, com cara de bobo. Até que esboça um sorriso. Um sorriso ridículo por sinal. Principalmente se o faz no momento de responder alguma pergunta. Se é que você ouviu alguma coisa.

Conforme o tempo (um curto espaço de tempo, por sinal) vai passando, as coisas vão mudando. Você sente o coração bater numa estranha tranquilidade. As palavras voltam, mesmo que desordenadas. Até mesmo as pernas voltam a funcionar! Esquece de se preocupar com coisas que não importam naquele momento, ou que não parecem importar. Você sente uma estranha calma, serenidade... Segurança! Sim, você sente segurança e até consegue esboçar algum assunto (desde que não seja complicado, obviamente) mesmo se perdendo ou então se encontrando no olhar dele (ou dela, né). Você encontra paz naquele olhar e tranquilidade no sorriso. É capaz de se perder e se encontrar neles várias vezes em questão de segundos!

Então, ao recuperar a totalidade dos sentidos... Você se dá conta de que isto é que é amor à primeira vista.

E se pergunta se foi recíproco. E sofre se questionando.

"Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar..."
Ana e o Mar - O Teatro Mágico


PS: Sim, meu pé tá uma bosta.
PS2: Sim, eu chorei horrores lendo a morte do Dumbledore e acho que o fato merece um post. Não falando sobre Harry Potter ou algo do tipo, mas sobre as representações que ele traz.
PS3: O Dumbledore era meu protótipo de Papai-Noel, tá?! Seus insensíveis.
Ninhá!
Fim de 2010. Que seja muito bem-vindo 2011! Que este novo ano seja repleto de alegrias, realizações, força, fé, PAZ, amizades verdadeiras, AMOR e apredizados.

Fazendo uma restrospectiva desse meu ano, cheguei à conclusão de que foi um ano, no mínimo, tenso. É. Coisas demais acontecendo, reviravoltas, caídas de máscaras, viagens, problemas.

Começou muito bem (IRONIA MODE ON) com aula em janeiro! E, se por um lado até em janeiro tive aula... Nesse ano letivo, juntamente com todos os outros componentes do CA e do curso de fisioterapia, ajudei a evitar mais uma greve desnecessária. Ufa! Janeiro de 2011 está livre para férias!

Noites em claro estudando (AHAM! =p), festas, faculdade, correria, Centro Acadêmico, reuniões, Vagalumes, Liga de Infectologia, congressos e simpósios. Ahhh! Meu primeiro ano como veterana da faculdade! E eterna bixete da vida...

Preocupações com pessoas amadas. Tive dois ENORMES sustos este ano. Com dois amigos. O primeiro foi mais que um susto. Não é triste quando você passa tanto tempo sem receber notícia de uma pessoa querida e quando recebe uma... Bem, é a mais desconexa e triste do mundo? Orações, pensamentos, pedidos, choros, busca de notícias e respostas, falta de ambas. A única coisa que sei é que ele está bem. No entanto, tenho enorme vontade de procurá-lo, de conseguir falar com ele, mas não tenho meios e nem sei como poderia. Querido amigo, FORÇA SEMPRE!

O segundo susto foi terrível também. Um acidente. Um grande amigo em coma. Cirurgias, notícias desencontradas. Um pequeno descuido e alguém que costuma salvar vidas quase perdeu a própria. Orações, choro, pedido, busca de notícias. Choro de novo. Desespero. Luz. Ele voltou. Problemas. Visitas no hospital. Quantas vezes engoli o choro! Sabe quando até dói a garganta? Acompanho de pertinho o "renascimento" dele agora. Conversei com uma professora e ela disse que é um processo longo e lento mesmo. Pouco me importa o tempo, contanto que ele fique bem. É bem visível os progressos nos movimentos das mãos, no andar ainda que com dispositivos auxiliares... Na fala! Como senti falta da sua voz, irmão!

2010 também trouxe o fim de uma promessa. Como muitos fins por aí, foi um final ruim, mas ainda assim trouxe bons resultados. Peraí. Eu disse ruim? Nããão! eu quis dizer bom! Ou no mínimo meio a meio. Eu estou livre agora. Sem precisar esconder nada mais. Sem precisar camuflar ninguém e nem lidar com paixonites e ficar com meu próprio coração na mão. Não precisarei mais omitir. Digo omitir porque não considero mentira quando você "mente" pra proteger pessoas que você ama (desde que você tenha razão, é óbvio. Não me venha querer defender um assassin@ simplesmente porque você é insan@ de gostar dele)
Se o fim foi meio trágico, foi por falha minha. Mas olha que modéstia à parte, eu poderia trabalhar no FBI. Ou na CIA. =p O importante é que deu certo, enfim.

Curitibaa! Aaahhhh Curitiba! Apesar de estar meio dodói quando fui pra lá, foi uma experiência mara viajar com o Triplex! E mais: num Congresso INTERNACIONAL de PEDIATRIA! Siiim! Pediatria! Organizado pelo Hospital Pequeno Príncipe (referência em tratamento Pediátrico), este congresso é realizado a cada 5 anos e eu tive a oportunidade de prestigiar esse evento tão MAAAARA! E na companhia do Triplex! Mas evento à parte, eu adooorei passear no "busããão" de turista e todos os passeios propostos pelo primo!

Encontro de Medicina Esportiva da USP de Ribeirão. Simplesmente MARAVILHOSO! Reencontros! Contatos! Pude conviver mais com a Ju (02) e com a Thá (03). E foi maravilhoso passar esse tempo juntas e conhecer mais elas.

2010 também trouxe baixarias no seu final, acusações e muuuitos "amigos imaginários". Definitivamente não sei escolher inimigos por caráter. Mas oras, se eu conheço alguém de bom caráter, é pra ficar ao meu lado, oras! Se é de má índole, baixaria... XÔ ENCOSTO! =p

Regime novo (não! não esperei 2011 chegar) já rendendo resultados, laços cada vez mais firmes com a Petroni e a Pelê...

Atos com os Vagalumes, último LHc do ano inesquecível, reencontro com o Alê, telefonemas da Marii e do Roddy... E de repente me sinto ainda mais próxima dos meus verdadeiros amigos.

Aproveito pra citar alguns aqui (desculpe se esquecer de alguém. Quem é meu amigo SABE que é meu amigo): prima Nicole, mamãe Lívia, Marii (a menina imaginária dos cabelos roxos), Thá, Mandão, Micael (ei! você me fez chorar com seu scrap de níver!), Danilo (Parça), Jéh, And, Tamy, Mel, mamãe Ju, Camila, Ligia, Marcelo, Roddy, o cara do Ipê Branco, Alê (ssandro), Mateuzyn, Alê (xandre), Aninha, Pulguenta, Lê, Vitor, Marcell, Danna, Dany, Tata, Padrinho...

Perdi um grande amigo esse ano também. Vocês conhecem, já falei dele por aqui. Te amo, amigo! A gente tá junto sempre! E seus conselhos me fazem falta demais demais demais! Fica bem, tá?

Revendo tudo isso (claro que falta muuuuitão ainda), chego à conclusão que muitos devem já ter chegado: quem passa não é o ano. Somos nós. É, parceir@! Somos nós que passamos todos os dias, é a nossa vida que passa. É o nosso tempo que escorre por entre as nossos dedos. Portanto, quem nasce a cada ano, junto com a virada somos nós mesmo. Sim!
Para quem faz aniversário justamente no último dia do ano, talvez isto seja mais perceptível. Explico: O ano "vira" e a nossa idade também. Logo, a meu ver, a percepção do tempo é mais clara... E sutilmente mais dolorosa.

2011? Não sei como será. Mas espero que nossas promessas de final de ano dure por todo ele!
Que a saudade tenha fim, que o amor seja exaltado no coração de todos, que nós possamos ver e sentir menos absurdos, ódio e vingança, que os noticiários tragam mais notícias boas, que a vida seja respeitada, que quem chora encontre conforto, que as dores transformem-se em aprendizado e esperança, que o mal seja derrotado.

Sonhe, corra, dance, estude, seja quem você é, ame, aproveite as oportunidades, se valorize mais, siga seus valores, chore, ria, sorria, gargalhe, pule, seja um voluntário, doe sangue, dê mais valor às pessoas, aumente sua auto-estima, dê ombro amigo, ouça, fale o necessário e saiba calar-se também, aprenda, realize sonhos, nunca perca a ternura, cuide das crianças e dos idosos, faça a diferença...

E o principal: Apaixone-se TODOS OS DIAS pela vida. Conquiste e deixe-se conquistar por ela.

FELIZ 2011!

"Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade - Receita de Ano Novo.
Ninhá!
Final de semestre sempre me deixa meio dã. Dã no sentido de confusa, perdida mesmo. Hoje, ao voltar pra casa com a minha órtese em gesso (e chamando atenção por onde passava) me peguei questionando a mim mesma:


Será que tô no caminho certo? Será que é isso MESMO que eu quero? Como me enxergo no futuro? Quero trabalhar com isso? Já pensei em mim trabalhando com isso pro resto da vida? Será que não tomei decisões preciptadas? Que decisão tomar agora? Por que a gente não nasce sabendo o rumo que devemos tomar? O que fazer quando sonhos antigos vem à tona?

Quem são meus amigos? Quem são meus inimigos? Como distinguir amigos de colegas? Quando ficar quieta ao invés de abrir a minha vida? Quando se deve confiar em alguém? Será que a confiança é duradoura? Será que eu sou a errada na história? O que será que pensam de mim? Como saber se estão sendo sinceros comigo? Como confiar somente em quem eu realmente deveria confiar?


Pois é... São tantas questões e eu tenho certeza de que nunca (Rá! Nunca diga nunca!) acharei respostas para algumas delas.
O fato é que eu sinto que não estou vivendo direito. Explico: sinto que não saio muito da zona de conforto, de segurança. Sinto que poderia viver muito mais... Aproveitar muito mais. Eu vou tentar mudar isso, mesmo achando meio complicado fazê-lo sozinha. Mas é necessário.


Notório é também que em finais de semana completamente alone é que eu descubro cada vez mais quem são meus amigos e aproveito para deixar lembranças gostosas a eles. Uns (Roddy!) vem me ver, outros (Marii) me ligam ou conversam comigo pela wab cam (com direito a violão! hahaha), um sempre está comigo, duas eu sei que encontro quando quiser (Thá e Jéh), mamãe Lívia e prima Nicole também... Um me acompanha a dormir sempre (Micael), em forma de trenzinho (MicAnim) e com outro (Parça!) tem até horário marcado praticamente pra nos encontrarmos no msn e conversarmos sobre tudo.


É bem verdade que em pessoa física eles estão distantes. Mas que esperar de pessoas que podem estar com você e ignoram a sua presença o final de semana inteiro?! Que esperar se eu me sinto sozinha mesmo no meio de 45 ou mais?


Aí é que me leva a crer que eu não me encaixo no contexto. E retomo aos meus questionamentos: Será que estou no lugar certo?


Estou dando laços mais fortes em amizades (quando distinguir?) que antes eu não tinha muita proximidade. Mas as pessoas vão demonstrando... Demonstrando... E me conquistando.


Quando por exemplo a gente tá triste e só 1 ou 2 pessoas percebem. E perguntam se a gente tá bem... E mesmo quando a gente responde que "sim, estou"... A pessoa sabe que não estamos e insiste na pergunta. Ora, como não me entregar a amizades assim? Por isso estou expandindo meu leque. Me sinto triste sim, mas a tristeza não é infinita. E nem a alegria, por outro lado.


Criar novos laços não significa deixar antigos. Só que estou tentando aprender como distinguir amigos de colegas. Não saio por aí mais contando a minha vida pra quem eu acho que posso contar. Guardo as coisas mais pra mim e pra compartilhar com quem eu sei que dá valor a minha amizade. Não saí contando a todos que ele veio me ver, nem que coisas ruins e boas estão acontecendo ou que eu tenho dúvidas sobre a vida. Isto não quer dizer que estou cortando laços, mas sim que estou revendo-os... E escolhendo a dedo quais laços devo apertar mais firme.


Estou num momento de questionamentos. Sofrimentos emocionais, talvez. Incertezas, angústias, solidão (mesmo em meio a multidões), choros, sorrisos, gargalhadas, sacos (Rá! O3, TRAZ ELE!), decisões, ansiedades, saudades...


Muitos podem pensar que sou tonta, bobona... Sei lá... Mas quer saber? Hoje eu entendo o nome disso. E se chama AMADURECIMENTO.


Deixo para vocês, pra encerrar esse post gigante, uma poesia: Amadurecência, do Fernando Anitelli.


"A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom... Na verdade é o medo. Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos os nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai.
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias.
Flagelo-me.
Exponho cicatrizes.
E acordo os meus, com muito mais cuidado. Muito mais atenção!
E a tensão que parecia nunca não passar,
'O ser vil que passou pra servir... Pra discernir...'
Pra pontuar o tom. Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir... Com outros olhos!"
Um beijo a todos e muito obrigada. =)